Sinto dores no corpo todo, mas meus exames não apontam a causa.
- Victor Marão

- 27 de ago. de 2018
- 2 min de leitura
Você já ouviu falar em Fibromialgia?
A fibromialgia é uma síndrome dolorosa crônica e difusa. A sua causa é desconhecida pelo corpo médico pela falta de substrato anatômico, ou seja, apesar de as dores serem reais, não se encontra no corpo evidências que as justifiquem. Encontrada mais facilmente nas mulheres, a fibromialgia está associada frequentemente à dor crônica em diversas partes do corpo, distúrbios do sono, fadiga, cefaleia, ansiedade, alterações de humor e, muitas vezes, quadros de depressão. Desse modo, a pessoa que sente dor apresenta uma dificuldade em exercer sua profissão e suas atividades diárias normalmente.
As pessoas que apresentam tal quadro, muitas vezes, tem dificuldade em convencer seus familiares que as dores são reais, visto que a luz dos exames médicos, “não há nada de errado” (como já foi dito, os exames não captam as evidências orgânicas).
Geralmente, a fibromialgia inicia-se após um traumatismo psíquico (eventos recentes ou passados, stress, etc.) ou físico (cirurgia, acidentes de trânsito, acidentes laborais, etc.). Sabe-se também que entre 30% a 50% dos pacientes possuem depressão e os demais sintomas psicológicos (ansiedade, alteração de humor, irritabilidade entre outros) está presente em 1/3 dos sujeitos.
Não há consenso geral se a dor é de ordem somática ou não, ou seja, se são conflitos psíquicos que estão inter-relacionados aos sintomas físicos, porém, a importância do tratamento psicológico se dá a medida que os sintomas interferem na qualidade de vida do sujeito e na sua forma de enfrentamento da dor. Por esse motivo, cada vez mais, forma-se um consenso de que o mais indicado para o paciente fibromiálgico é buscar um tratamento multidisciplinar.
Nesse contexto, a psicanálise busca, para além da sintomatologia, a construção de uma narrativa própria da pessoa. Um discurso que revela o sofrimento que aquele paciente, de forma particular, passa diante da síndrome e a sua realidade subjetiva. Esse espaço permite à pessoa entender em que contexto o sofrimento dela se inscreve e buscar as primeiras manifestações e sua possível etiologia.
Construir um discurso que dê conta da enfermidade é mais do que somente “falar sobre ela”. É poder entender que essa condição é uma das muitas que a pessoa está submetida, mas não a única. É fabricar um saber que provoca uma mudança de postura diante da síndrome. É permitir que o sujeito a encare não como algo que lhe domina. É fazer com que ele não esqueça das demais esferas da sua vida (profissional, familiar, afetiva, etc.).
Você já havia ouvido falar em fibromialgia? Te convido a enriquecer essa discussão nos comentários abaixo.






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